Coluna do Emerson: Direitos autorais, mais problemas do que solução

Publicado por Emerson em 09/11/2010 com 24 comentários
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Há apenas um tipo de comunidade que pensa mais em dinheiro do que os ricos: os pobres.
Os pobres não conseguem pensar em mais nada.
(Oscar Wilde)

Direitos autorais, mais problemas do que solução

O mundo é capitalista, isso é fato. Arte ainda sobrevive (graças a Deus), mas o dinheiro comanda. Todo mundo gosta de dinheiro e todo mundo gostaria de ganhar mais do que tem, idependente de quanto já ganha. Eu, você, o Lula, o Abílio Diniz e o Zé da padaria.

Música, cinema, literatura, games (por que não?) são manifestações artísticas. Por mais saudosista que você possa ser, não há como não admitir que a todo momento surge uma boa música, um bom filme, uma boa história e um bom game. Eu diria que a criatividade é infinita, e se eu estiver errado, e ela não for, ainda estamos muito longe de esgotá-la.

Arte é criar, e se você criou algo de valor e diferenciado, por que não ganhar alguns trocados com isso? Nada de errado. E para proteger essas criações inventaram uma coisa chamada direito autoral.

Até o início dos anos 90, todos compravam seus CDs, LPs, livros e cartuchos de video-games, ou alugavam seus filmes na locadora do bairro nos fins de semana. E vieram a internet e o CD-R e os consumidores viram que era mais barato baixar do que comprar… Tentador, não? E nasceu a pirataria.

Os anos foram se passando e as empresas perceberam que não adiantava proibir a pirataria de forma burra (o que elas mais fizeram e ainda fazem), deveriam encontrar alternativas que fizessem o consumidor voltar a pagar por aquilo que ele tinha gratuito na pirataria. E vieram iTunes Store, App Store, Steam, Live, PSN… Mas uma coisa ainda me incomoda.

A pirataria é caracterizada e condenada pelas grandes corporações quando o indivíduo ao invés de comprar o produto original, que reverte parte da venda para o seu criador, recorre ao mercado “alternativo” e paga uma quantia irrisória (ou não paga nada) para um terceiro que não tem ligação alguma com o criador do game/música/filme/livro. Mas e quando nós queremos comprar aquela música, temos o dinheiro, mas não podemos por causa daquela mensagem safada:

“este conteúdo está indisponível para a sua região”

— POMBAS! Eu tenho o dinheiro necessário e quero comprar, mas você não me deixa por que eu moro em um país onde a licença de usso desse produto não se aplica?

— Exatamente, senhor.

— E você já parou pra pensar que se os Klingons resolverem invadir a Terra eles não se preocuparão em saber de quem é a licenças de uso da Terra?

— hmmmm, deveríamos registrar nosso planeta, antes que isso aconteça, senhor.

As centenas de donos de SingStar do Game Generation (eu, batboy e rbvix) sabem o parto que é gerenciar as músicas compradas na SingStore. Por serem em formato de videoclips (eu acho que é por isso), todas as músicas compradas são protegidas por DRM e só podem ser excutadas em um ÚNICO PlayStation 3, e isso não tem nenhuma relação com o processo de ativação/desativação de um console a uma conta da PSN, é algo totalmente a parte. É um processo 100% transparente que ninguém percebe até… sofrer da YLOD. :evil:

E após comprar o seu novo console, a  única forma de se baixar novamente suas músicas é entrando em contato com a Sony para ela “zerar” suas músicas nos servidores da SingStore. Se a sua conta for americana, basta acessar o formulário de suporte no site do PlayStation, mas se sua conta for europeia……… pode chorar. :cry:  Será necessária uma ligação internacional para a Sony UK, pois o suporte deles é apenas por telefone. :evil: :evil: :evil:

E sem contar bizarrices como o SingStar Motown, disco especial que foi lançado apenas na Europa! Isso mesmo, Motown, gravadora símbolo dos EUA, que lançou vários dos maiores ícones da black music como Commodores, Jackson 5 e Supremes, só pode ser comprado por europeus…

Nem vou me dar ao trabalho de comentar os incríveis serviços Vidzone e MUBI, exclusivos da PSN europeia…

O mais engraçado nessa história toda, é que nós (brasileiros) somos obrigados a mentir, criando contas de outros países e/ou torcendo para que nosso CEP coincida com o código postal de determinado país e nosso cartão de crédito funcione. Essa é a nossa tragédia cômica (leia a quadriteca mais abaixo).

Mentimos para eles, para podermos comprar (deles mesmos) o que somos impedidos de comprar (pelas vias oficiais).

E viva o anti-consumismo!

“Ei, você não quer me vender, mas eu quero comprar!”

——-

CERTIDÃO DE NASCIMENTO

CERTIFICO que, sob o nº 2101 às fls. 16 do livro nº E 34 de assentos de nascimentos, está registrado um console do sexo masculino, modelo CECH-2101A, nascido no dia vinte e quatro de outubro de dois mil e dez, às catorze horas, à Av. Dom Hélder Câmara, número 5474 loja 2301, com o nome de Playstation Antunes Coimbra II, filho legitimo de Emerson Antunes Coimbra e de dona Sony Computer Enterteinment. O assento foi lavrado em vinte e cinco de outubro de dois mil e dez, tendo sido declarante o Pai e serviram de testemunhas as qualificadas no termo.

O referido é verdade e dou fé.

Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2010.
O Escrivão

Isso mesmo! No domingo 24/10, dei um pulo nas Americanas do Norte Shopping e garimpei um modelo slim CECH-2101A que obviamente, não é o vendido “oficialmente” pela Sony. Paguei em torno de R$1.100,00 em 10x s/juros, só 900 reais a menos que o modelo “Anatel/Inmetro” (Se estiver com dúvida de qual modelo comprar, confira nosso especial).

E como não poderia deixar de ser, depois de todo aquele bafafá algum coisa iria acontecer durante a compra. E aconteceu!

— Querida, vou levar um PlayStation.

— PlayStation 2, senhor?

— 3.

— O senhor já sabe que as Americanas não trocam PlayStation 3, não sabe?

— Como assim?

— É que as Lojas Americanas não trocam PS3 em caso de defeito, o senhor teria que entrar em contato com a Sony, mas o senhor pode ficar tranquilo que a Sony garante que o produto está ok.

— Então, se eu sair da loja, correr até em casa e apresentar algum defeito, vocês não trocam?

— Isso.

Ou a atendente é muito burra, ou acha que o burro sou eu.

Pra início de conversa, o CDC me garante 48 horas de devolução do dinheiro e fim de papo. Agora, imaginem se eu chego na Sony com um PS3 que não o Anatel/Inmetro e pedindo pra ela trocar….

E pra encerrar. Quando chego em casa já vou na fome de trocar o HDD de 120GB pelo de 320GB do meu finado PS3 e o que eu vejo? Um selo de garantia do importador bem em cima da portinha para troca do HDD! E trocar HDD é um procedimento que está documentado no manual do usuário, portanto… :?

 

Bagaceira do Rock

Como a coluna de hoje está imensa e muita gente não tem tanto tempo assim disponível durante o dia, resolvi improvizar e gravar a Bagaceira dessa semana, ao invés de escrevê-la.

E por favor, perdoem o locutor que não tem voz de locutor e suas as mancadas durante a gravação (que foram devidamente sinalizadas com sonoplastia apropriada durante a edição final). 8O

Escute a Bagaceira do Rock no player abaixo, ou faça o download do arquivo.

 

Quadriteca do Mr. Emerson

Semana passada, durante minha caminhada pós-almoço entrei na Saraiva do shopping Rio Sul. Estava lá, como quem não quer nada, na seção de quadrinhos, quando não acreditei nos meus olhos! Uma das minhas Graphic Novels favoritas, finalmente em uma versão capa dura, super bem acabada e em português:

A Comédia Trágica ou Tragédia Cômica do Mr. Punch

A Comédia Trágica ou Tragédia Cômica do Mr. Punch, ou simplesmente Mr. Punch, é uma Graphic novel escrita por Neil Gaiman, ilustrada por Dave McKean e lançada pelo selo Vertigo da DC Comics em 1995.

O livro segue as memórias da infância do narrador, ilustrando várias experiências em sua vida: a pesca na praia ao amanhecer; seus avós e como um avô ficou louco; um tio-avô corcunda, a traição de crianças por adultos; o medo do desconhecido; uma gravidez indesejada, violência, possivelmente, até mesmo assassinato.

A história geral é comparada com o tradicional show do Mr. Punch – oriundo do espetáculo mambembe Punch and Judy da Comedia dell’arte. O narrador é introduzido pela primeira vez ao Mr. Punch durante um fim de semana com o avô, seu tio-avô Morton e Swatchell, um estranho  artista com passado desconhecido. A história de Mr. Punch, é que ele mata o seu bebê, em seguida sua esposa Judy e o policial que chega para prendê-lo. Ele engana um fantasma, um crocodilo e um médico, convence o carrasco a ser enforcado em seu lugar e, no final do jogo, derrota, até mesmo, o próprio diabo.

Como muitas das obras de Gaiman, um dos temas principais neste romance gráfico é sobre a memória e a insegurança das nossas próprias lembranças. Uma obra como poucas. Imagens fantásticas e textos profundos que nos fazem refletir.

★★★★★

Por hoje é só, pessoal!



: Bacharel em Informática pela Universidade Estácio de Sá com um "impissionante" quoeficiente 6.7, já trabalhou como professor de ensino médio, helpdesk, web designer e finalmente achou sua vocação como administrador de redes. Neto de um português flamenguista e nerd de carteirinha, apaixonou-se por video-games ainda criança com seu telejogo e não parou mais: Odyssey, Master System, Sega Genesis, SuperNes, N64, PS2, PS3 fat (Ylod), PSP e PS3 slim. Hoje tenta administrar o tempo entre seu emprego, o Game Generation, o video-game, sua esposa e sua filha.

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Displaying 24 Comments
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  1. GusRocket disse:

    Realmente é muito burro o que acontece nas lojas virtuais! Eu compro na PSN Americana com o meu Amex, o endereço é de uma micro cidade no interior de um estado X, justamente por ser igual ao meu Cep no Brasil.

    Na apple store é pior, eu tive que comprar um redeem card para me cadastrar na loja americana e depois de mais de 2 anos tentando cadastrar o meu cartão, finalmente consegui, justamente com o mesmo "esquema" do Cep.

    Eu já falei diversas vezes que sou contra a pirataria em todos os sentidos, teve épocas que eu usava pirata em tudo (musicas, videos, jogos, etc..), mas hoj eu não baixo mais nada pirata, compro jogos originas, compro musicas na apple store e agora com a recente compra da Apple TV 2, alugo filmes e seriados.

    E viva o CEP!

  2. beabranches disse:

    gostei do cougar!!!

  3. narutodark disse:

    muito bom Emerson, parabens pela coluna.

  4. destroyershot disse:

    GROO o errante

  5. Leo_Collino disse:

    Emerson, parabéns pelo nascimento do seu novo filhote, dona Emerson que não deve ter ficado muito feliz com o novo pimpolho da familia… :D
    Direitos autorais, diretos do idoso , direitos da criança, ninguém respeita essa merda de direito de nada… e viva a liberdade de expressão enquanto durar, se é que existiu um dia… a Bagaceira não consigo escutar aqui no trampo, escutarei em casa… Quadriteca pra mim é gibi na sala de espera do dentista, certo?!?!?!

  6. will disse:

    Definitivamente a coluna mais caprichada do GameGen!! Parabéns Emerson!

    Só uma coisa….uma pequena gafe…..

    a pirataria não surgiu com a internet…. é muito anterior a isto! Mas tudo bem, apesar de acreditar que o assunto merece mais detalhes do que o exposto, ficou bastante claro o foco da sua questão, por isso, não vou entrar nestes méritos.

    e sobre o que você escreveu a partir deste ponto, devo dizer que concordo com tudo… são fatos e situações que são difíceis de acreditar!!!

    e para finalizar…. não sabia que você tinha nome de craque! rs

    Antunes Coimbra é o sobrenome do grande ídolo do meu Flamengo…. isto você deve saber obviamente, mas eu não pude deixar de notar e comentar!!! hehe

  7. will disse:

    é verdade cara! nem mesmo o artista é respeitado no caso dos direitos autorais… na música ou no caso dos livros, por exemplo.. a maior parte do $$$ vai para os impostos, para os empresários, para as empresas que gravam e distribuem, para os jabás…. e o que sobra para o artista é muito pouco se comparado ao que é arrecadado!

    e o preço do disco vai nas alturas para compensar os gastos! e sobra para nós, consumidores, pagar! por isto insisto que o último culpado é o consumidor de pirataria, que não é isento, mas participa muito menos deste esquema do que aparenta e do que é divulgado!

    pronto…acabei tocando no assunto!

  8. will disse:

    bagaceira não vei ter nem 10 minutos…. kkkkk

    FAIL!!!B)

    Mas Smashing Pumpinks é muito bom cara!!! e Bagaceira em áudio é 100 vezes melhor… falar sobre música sem ouvir música é como falar de comida…. não comer e ficar com fome!!! rs

  9. Emerson disse:

    O player estava com problemas mesmo Leo, já consertei.

  10. luansr disse:

    Muito bom Emerson, como sempre!

  11. FBram disse:

    GPL neles! ! ! !

    Excelente coluna, Emerson.

  12. Sonysta disse:

    Olá, estou enviando esse comentário para dizer que vocês deveriam dar uma revisada no seu servidor, porque não são raras as vezes em que não consigo acessar o site por problemas de carregamento. O site fica carregando por um tempo indefinido e várias vezes sou forçado a deixar o site devido à esse problema.

    Grato!

  13. ferdrj disse:

    Parabéns, conterrâneo, e boa sorte com seu novo filhote!

  14. alexsandro_jean disse:

    Emerson outra excelente coluna, parabéns pelo novo filhote, eu no teu lugar teria dado uma SONORA GARGALHADA na cara da vendedora kkkk, boa a bagaceira do rock, a quadriteca eu não conheço, vou ver se dou uma lida depois, afinal um bom gibi é sempre bem vindo.

  15. elzoroastro disse:

    Emerson parabéns por mais uma excelente coluna!

  16. @Guguzeco disse:

    A musica 1979 tem no GTA IV =)

  17. falcao2004 disse:

    Parabens M.Emerson otima coluna como sempre!nao pude deixar de dar boas risadas dos acontecimentos que voce descreveu…a bagaca e tao tragica que no final acaba virando comedia..o papo com a vendedora foi muito comico,ate imagino a sua cara falando com a mulher!

  18. GUSTAVO_RED disse:

    hehehe… Gostei da parte do “este conteúdo está indisponível para a sua região”…

    restrição full ao acesso a diversidade cultural, se pararem pra pensar… :p

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