Análise | GoldenEye 007: Reloaded
“Refined. Recharged. Reloaded.“
Esta frase está presente no verso do encarte de GoldenEye 007: Reloaded e é a melhor sentença possível para definir o que é o título. Lançado originalmente para o Wii, Reloaded é na essência um game igual ao remake transportado para o console atual da Nintendo, que teve como principal objetivo reviver os tempos áureos de GoldenEye 007 do Nintendo 64, excelente produção da Rareware e um dos momentos áureos da época dos 32 e 64 bits. A diferença é que desta vez o jogo em questão apresenta e mecânica totalmente modificados, para proporcionar uma experiência de jogo em alta definição no Playstation 3.

- Golden Eye 007: Reloaded (PlayStation 3, Xbox 360)
- Desenvolvedora: Eurocomm
- Publicadora: Activision
- Lançamento: 1 de novembro de 2011
Devido à bagagem que o nome GoldenEye carrega no universo dos games, lançar um título sob esta chancela exige-se que o produto tenha um nível de qualidade que não desaponte os fãs de James Bond e os saudosistas dos tempos do N64, até porque o primeiro game do agente secreto mais famoso do mundo trazia um modo singleplayer quanto multiplayer divertidíssimos. Portanto, iniciei a avaliação de Reloaded como fiz há muitos anos atrás com a minha fita de GoldenEye 007, ao ligar o console e conferir o quanto a aventura para um jogador valia a pena.
O início do singleplayer se dá em um tutorial em que você aprenderá os comandos básicos para realizar as ações no jogo, de forma bem simples e direta. Após o passo-a-passo, você adentra a trama de GoldenEye, em que você deverá impedir que a arma homônima de destruição em massa caia nas mãos inimigas e o planeta sofra com um bombardeio múltiplo. E claro que, uma vez na pele de Bond, você terá de solucionar este problema apenas por conta própria.

Por ser um remake baseado no filme protagonizado por Pierce Brosnan em 1995 e no game original lançado dois anos depois, GoldenEye 007: Reloaded se inspira em ambas as fontes para reproduzir a história de Ian Fleming, mas não retrata de maneira idêntica os produtos da década de 90. A primeira modificação que é possível reparar é que Bond não é representado pelo ator irlandês e sim por Daniel Craig, que é o ator dos filmes 007 mais recentes. Os mais críticos podem não se conformar com essa escolha, mas é um detalhe óbvio e criticá-lo é desnecessário. O Bond contemporâneo é vivido por Craig e o jogo procura não desfazer a identidade do agente, que está solidificada nos traços do artista britânico.
Além de 007, a única personagem retratada no jogo que foi representada nos filmes é M, que é dublada por Judi Dench. Alec Trevelyan, Xenia Onatopp e o general Arkady Ourumov, assim como os demais personagens secundários, não possuem os mesmos rostos do cinema. Inclusive, há algumas localidades inéditas pelas quais o jogador passará, como Barcelona, Dubai e Nigéria.
Aliás, se queixar pelo fato de que Reloaded não reproduz o GoldenEye original da forma mais exata possível é uma perda de tempo. Primeiro pelo fato de que o game é um remake e tais relançamentos nunca são idênticos às versões passadas, já que nestes casos há abertura para eventuais mudanças em relação à base do trabalho. Segundo, e o mais importante de tudo, é que o game não esquece dos acontecimentos principais de GoldenEye e não destroi tudo o que foi criado anteriormente; há somente pequenas adaptações para levar as cenas vistas nas telonas há anos atrás com outros olhares. Todos os fatos principais foram preservados, como será perceptível ao decorrer da aventura.
É possível escolher entre quatro dificuldades para se jogar o singleplayer: Agent (fácil), Operative (Normal), 007 (difícil) e Classic 007 (muito difícil). A última dificuldade citada é um quanto nostálgica, já que você passará pela mesma situação vivendo Bond no N64: a vida do personagem não se recupera e para aumentá-la você precisará procurar por coletes à prova de balas, diferentemente das demais. Inclusive, esta forma de jogo junto da dificuldade 007 são as mais interessantes à disposição do jogador. GoldenEye 007: Reloaded é um jogo linear, em que você não desviará dos objetivos principais para seguir adiante na trama. No entanto, ao optar por elas, será possível cumprir objetivos secundários em cada missão, o que as torna mais divertidas e permite ao proprietário do game explorar mais cada localidade.

No comando de James Bond, quase tudo está dentro dos conformes. Você terá a possibilidade de portar duas armas principais e uma pistola, e carregará um smartphone, que é igualmente essencial durante o jogo. Ele detecta os locais em que há objetivos para serem cumpridos ou em que há provas para serem coletadas e computadores que você pode hackear, dentre outros exemplos. Toda vez que você estiver próximo a algo importante relacionado a estes casos aqui citados, um ícone aparecerá no canto inferior esquerdo da tela e as luzes do aparelho ficarão com um tom de azul mais intenso, indicando que há algo para você fazer onde estiver.
GoldenEye 007: Reloaded pode apresentar uma campanha linear, mas consegue dosar muito bem o ritmo da ação vista na tela. Isto se dá pelo fato de que o game não se limita a inserir o jogador em tiroteios, mas exige muitas vezes habilidades stealth, além de apresentar momentos em veículos e quick-time events. Há inúmeras ocasiões em que você poderá decidir se agirá furtivamente ou se eliminará os inimigos criando combates da mais alta tensão. E há ainda situações que você deverá ser o agente mais frio e calculista, ao enfrentar os breach points. Estes são caracterizados por momentos em que será possível infiltrar os ambientes abrindo as portas de acesso, com a ação ocorrendo em slowmotion. São poucos segundos que estarão à sua disposição para liquidar os inimigos sem que você comprometa a vida de Bond.
Além disso, alguns elementos visuais contribuem para dar um charme a mais na trama para um jogador e maior aproximação ao universo de 007. Apesar da ausência da barrel gun, aquela vinheta em que Bond caminha sem olhar na direção da tela e de repente, vira-se e dá um tiro no sentido do espectador, que geralmente ocorre antes da introdução dos filmes, a Activision não se esqueceu de adicionar um vídeo-clipe com a música tema de Goldeneye após o início da aventura (desta vez, com a voz de Nicole Sherzinger, ex-Pussycat Dolls, e não como na versão original, cantada por Tina Turner) e do sangue que escorre pela tela quando Bond é executado pelos inimigos, similarmente ao jogo da década de 90. São pequenos detalhes, mas a falta deles certamente causaria uma descaracterização do produto final.

Entretanto, como havia dito anteriormente que quase tudo está satisfatório, resta agora relatar os fatores que poderiam ser melhor trabalhados. Os gráficos foram bem adaptados para a alta resolução e estão bonitos, mas não surpreendem. As animações estão muito caprichadas e no jogo há um dos melhores efeitos de chuva que já vi no Playstation 3, mas há uma série de objetos que poderiam ter superfícies mais redondas e uma maior riqueza de texturas, assim como menos serrilhados. Por mais que tudo foi incrementado na parte visual em relação ao Wii, o hardware do PS3 poderia ter sido muito mais explorado.
E em paralelo à qualidade dos gráficos, está a fraca Inteligência Artificial dos inimigos. São poucas as vezes que eles não sofrem de algum mal de pouco raciocínio. É fácil demais liquidá-los, quando em pequena quantidade, deixando o local de cobertura para atacá-los no corpo-a-corpo. Eles também são cegos ou surdos na maioria das vezes, pois você poderá matá-los com uma certa distância mesmo que eles estejam olhando diretamente para você e não percebem nunca que o companheiro bem do lado deles está sendo atacado quando você optar por agir sorrateiramente com Bond.
Outra boa notícia é que o singleplayer de GoldenEye 007: Reloaded não se limita apenas a vivenciar a história principal. Há um outro modo para um jogador, chamado MI6 Ops. Nesta opção de jogo, será necessário cumprir missões específicas de três modalidades (Stealth, Elimination e Defense) em cenários pelos quais você passará ao visitar a trama do game. Ao final de cada missão, o jogador ganha pontos pelo desempenho e poderá compará-lo ao dos demais proprietários de Reloaded na Playstation Network.
Mas e quanto ao multiplayer? O que se pode esperar do novo GoldenEye quando o assunto é se divertir junto de mais pessoas?
Felizmente, a Activision soube explorar muito bem este quesito. E a primeira razão pela qual o jogo é muito interessante para ser aproveitado por múltiplos jogadores é que GoldenEye 007: Reloaded faz algo que está cada vez mais escasso no universo dos games: ao oferecer uma opção de disputa para até quatro jogadores com tela dividida, você viverá novamente os tempos em que chamava seus amigos para ir até sua casa para jogarem Nintendo 64.
Reloaded relembra a época dos 64 bits com louvor. Aqui, você terá como revisitar as disputas free-for-all ou de 2 vs 2 e terá mais quatro modos à disposição, sendo estes Golden Gun, You Only Live Twice, Escalation e Detonator Agent. Você poderá escolher uma infinidade de personagens para jogar, desde os inimigos que aparecem ao decorrer da aventura singleplayer até os clássicos vilões de Bond, como Jaws, Goldfinger, Max Zorin, Francisco Scaramanga e outros. Feita a sua escolha, será possível também customizar as armas com que deseja jogar e determinar as opções de jogo, desde as triviais como o radar desligado ou não e os limites de tempo e de pontuação, assim como outras avançadas, dentre as quais estão o caricato Nick Nack Mode (que transforma todos os jogadores em anões) e a Classic Health, que é extraída diretamente da versão N64 e exige com que os players procurem por coletes para sobreviverem, já que a vida não se recupera automaticamente. Com tudo isso, é impossível faltar diversão no sofá de casa.

E é claro, além da diversão split-screen, ainda há o modo online, o qual, acredite se quiser, pode ser acessado sem o uso de um Online Pass. A jogatina em rede consegue ser mais variada ainda que as disputas para até 4 pessoas, já que são 13 modos de jogo disponíveis. Há todas as opções para tela dividida (com exceção do You Only Live Twice) e 3 delas só ficam disponíveis à medida que o jogador aumenta o próprio nível de experiência. A má notícia é que entre estes últimos a serem desbloqueados estão opções muito divertidas de jogo como o License to Kill, em que o jogador não conta com auxílios visuais como o radar e o dano das armas é mais letal, e o Classic Conflict, uma disputa de todos contra todos em que só entram os vilões de 007 e você deve tirar proveito das características específicas de cada um para se dar bem contra os adversários.
Mas a diversão online não é perfeita. É nesta parte de GoldenEye 007: Reloaded em que alguns detalhes poderiam ter sido mais caprichados. A ferramenta quick match funciona de maneira eficiente, mas simplesmente coloca você em uma disputa qualquer, pois não seleciona critérios básicos de seleção como o modo de jogo e o mapa, e também não há como você conferir a listagem dos servidores disponíveis para entrar em uma partida, o que não dá um leque de opções muito grande.
Você terá de conviver também com lags, sendo que às vezes eles o farão tornar o jogo impraticável, devido à lentidão que irá ocorrer in-game. Mas o mais grave de todos foi um pouco caso da Activision com o próprio game. GoldenEye 007: Reloaded foi lançado em novembro, mês dos inúmeros lançamentos AAA e chegou no mercado no mesmo dia em que Uncharted 3: Drake’s Deception. Ao disputar com títulos do calibre que são os games mais recentes do PS3, as vendas do game parecem ter sido muito baixas e isso reflete na falta de jogadores online. Isso causa um aproveitamento parcial do jogo, já que os proprietários atuais se limitam a jogar os modos Conflict e Team Conflict, que são nada mais que partidas deathmatch. Assim, é uma raridade achar usuários que estejam dispostos a variar a diversão e no final das contas, a escolha do período de lançamento faz compreensível a ausência do Online Pass.
Já para os proprietários do Playstation Move, GoldenEye 007: Reloaded pode ser uma experiência interessante. O game permite o uso do sensor de movimentos com a SharpShooter tanto no singleplayer quanto no multiplayer (exceto no modo em tela dividida) e torna o jogo muito agradável. Os comandos respondem muito bem e a única dificuldade é se adaptar a esta alternativa, para aqueles que não estão acostumados a jogar qualquer título de FPS utilizando o acessório.
Em suma, GoldenEye 007: Reloaded é um game que oferece um ótimo singleplayer e uma grande diversidade de conteúdo multiplayer, que inclusive supera os momentos proporcionados pelo jogo original que é a sua razão de ser quando aproveitado com amigos na mesma telinha. Caso não houvesse uma pressa por parte da Activision em publicar o game, Reloaded poderia ter problemas pontuais quanto aos gráficos e não teria a experiência online parcialmente comprometida. Se você considera prioridade total o fato de jogar em rede, espere um pouco mais para testar o game, até que seja possível encontrar mais pessoas para aproveitá-lo de forma completa. Caso contrário, não deixe de conferir a volta de GoldenEye, principalmente se este jogo lhe cativou quando você era muitos anos mais novo.

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Adorei a review, continuem assim GameGen!
muiot bom review
parbens pessoal
Achei bem parecido com o COD.
Estou jogando. Daria 8,5. O que me irritou nesse jogo foi o fato de ser tão linear, diferente de seu antessessor (lembro que as vezes era quase impossível encontrar o objetivo nas telas que eram enormes). Aliás acho que não veremos mais singles como do passado, não num fps. O jeito é nos contentarmos a andar sobre trilhos como todo bom (ou não) jogo fast-food tem que ser.
far cry 2 e o seu jogo entao, um mapa enorme para explorar, vc faz o que quer, mas e um saco andar de um lado a outro do mapa so para terminar uma missaozinha de nada, fps tem que ser linear mesmo, rpg sim deve ser mundo aberto pra explorar a vontade.
ainda tem as proximity mines?
Cara, Far Cry foi um dos poucos jogos que começei e não zerei por ser tão repetitivo e de jogabilidade ruim. Ele tem uma jogabilidade aberta falsa. No final é andar sobre trilhos num mapa gigante, sem muita opção de exploração. Você jogou o Goldeneye ou os Turok do N64? É disso que estou falando e tenho saudades. Mas aquela foi uma época de experimentação. O mercadode fps não estava tãoconsolidado como agora, então eu já desisti de ver jogos assim…
Joguei a demo e gostei bastante, o estilo me agrada muito!!!
se sair na store talvez mas em midia…nope.
Mas Goldeneye, o filme não foi escrito por IAN FLEMING hein… só os 15 primeiros filmes foram de histórias escritas pelo criador, por isso desde o ultimo filme de ROGER MOORE até o primeiro de DANIEL CRAIG (com a unica exceção GOLDENEYE) foram de historias toscas e as vezes com pontas soltas!
OO7 é uma lenda E sempre será uma ótima opção de jogo. muito melhor que muitos que vem surgindo ai tipo mas efect etc jogos muito ireais
Estou jogando e goldeneye foi so pra vender, uma coisa ou outra tem a ver com o antigo jogo!